LESÕES DE SOBRECARGA NO MEMBRO SUPERIOR

Ficas com a mão dormente ou dói-te enquanto pedalas? Muitos dos praticantes de ciclismo ou de BTT já sentiram algum tipo de desconforto nas mãos e tiveram uma sensação de formigueiro, de dor ou até mesmo falta de força.

Por Dr. Gonçalo Barradas (Médico Pós-Graduado em Medicina Desportiva e Médico de Futebol no Grupo Desportivo Estoril Praia)

 

Nesta edição irei abordar três tipos de síndromes possíveis e comuns no membro superior num praticante de bicicleta. Estes podem ocorrer no trajeto do nervo cubital ou do nervo mediano do membro superior.

Em relação ao nervo cubital, este pode ser comprimido no punho (síndrome do canal de Guyon) ou no cotovelo (síndrome do túnel cubital). O nervo mediano pode ser comprimido ao nível do punho (síndrome do túnel cárpico).

 

SÍNDROME DO TÚNEL CUBITAL

O nervo cubital é um dos nervos mais importantes do braço, percorrendo desde o ombro até ao quinto dedo. É o responsável pela sensibilidade do quinto dedo (dedo mindinho) e da metade interna do quarto dedo (dedo anelar), bem como da inervação de alguns músculos importantes do antebraço e da mão (responsáveis pelos movimentos finos das mãos e dedos). A sua compressão no cotovelo é a segunda mais comum a nível do membro superior.

Causa: Podem ser várias, desde fraturas ou sequelas de fraturas, esporões ósseos causados por tração muscular, epitroclites ou quistos.

Pode ter um caráter progressivo, como na própria posição de dormir, com os cotovelos fletidos, na qual se dá um aumento de pressão sobre o nervo cubital, provocando uma sensação de formigueiro nos dedos (denominado de parestesias).

Sintomatologia: Varia conforme a compressão exercida no nervo.

A queixa mais frequente é a perda de sensibilidade, especialmente nos dedos anelar e mindinho, com a sensação de formigueiro e de dormência na mão. Pode ocorrer perda da coordenação dos dedos, que piora com as atividades físicas na realização de movimentos finos. Nos casos mais graves existe dor, perda da força de preensão (como pegar e segurar objetos), atrofia da musculatura da mão e, na extremidade, a mão pode ficar em “garra”.

Diagnóstico: Devemos começar sempre pela história clínica e exame físico, que nos podem logo orientar para uma síndrome de compressão.

Exames como a ecografia, o raio-X, a ressonância magnética ou mesmo a TAC podem fornecer alguma informação para este tipo de síndrome, bem como no despiste de diagnóstico diferencial.

No entanto, o exame de eleição é a eletroneuromiografia, que geralmente confirma o diagnóstico.

Contudo, nunca devemos excluir como principal causa a patologia cervical, em que, entre outras.

 

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